sexta-feira, 10 de julho de 2009

Desmascarando a Maçonaria (Parte 02)

II. INICIAÇÃO MAÇÔNICA

Não é maçom quem quer e sim quem pode ser.

"O maçom é obrigado por seu caráter a obedecer à lei moral e, se devidamente compreende a Arte, não será jamais um estúpido ateu nem um libertino religioso. Embora nos tempos antigos os maçons fossem obrigados a pertencer à religião dominante no seu país, qualquer que fosse ela, considera-se hoje muito mais conve­niente obrigá-los a professar apenas a religião que todo homem aceita, deixando cada um livre em suas opiniões individuais, isto é, devem ser homens probos e retos, de honra e honradez, qual­quer que seja o credo ou denominação que os distinga." (Da Cons­tituição de 1723, feita por Anderson.)

2.1. O Candidato a Maçom
No seu livro O Que E a Maçonaria, diz A. Tenório d'Albuquerque: "A Maçonaria só deve admitir em seu seio quem é livre e de bons costumes, quem dispõe de recursos financeiros e tem qualidades morais consideráveis e um grau de instrução que lhe permita compreender, interpretar as belezas incomparáveis que a Maçonaria apresenta, os seus elevados fins humanitários e o seu simbolismo."

2.2. A Proposta de Filiação
O candidato, em linguagem maçônica denominado profano, assina uma proposta de filiação à Maçonaria. O proponente é o padrinho.

Na proposta, o profano é obrigado a declarar quanto ganha mensalmente, nome, profissão, estado civil, grau de instrução, re­sidência, procedência, etc. Haverá casos em que será exigida a apresentação de atestado de bons antecedentes fornecido pela au­toridade competente.

Recebida a proposta, três maçons são indicados, pelo Venerá-vel (Presidente) da Loja, para fazer sindicância em torno da vida do profano. Essas indicações devem ser feitas sigilosamente e sem que um saiba quais os outros indicados. Cada um recebe uma fo­lha de sindicância, já impressa, com um questionário sobre a vida do profano. A sindicância deve ser feita com o maior rigor possí­vel, investigando-se os antecedentes do candidato, os seus hábitos, se tem vícios, o conceito em que é tido na sociedade, o seu grau de instrução, se tem algum defeito físico incompatível com a Maçonaria.

É um meio de selecionar os elementos, de não permitir o in­gresso na Maçonaria de pessoas destituídas de condições impres­cindíveis.

Como se vê, não é maçom quem deseja e sim quem pode ser, isto é, quem dispõe de certa soma de requisitos morais, intelectu­ais e financeiros.

2.3. O Processo de Iniciação
Uma vez satisfeitas as exigências pelo pretendente a maçom, é marcada a cerimônia de iniciação do candidato.

O "profano" começa por ser introduzido a um lugar retirado em que deve despojar-se de todos os objetos de metal: dinheiro, decorações, armas, jóias, etc. Levam-no, em seguida, para uma sala isolada, chamada "Câmara de Reflexão". É um lugar sinistro. As paredes são completamente negras e, como decoração, apre­sentam esqueletos, cabeças de mortos e lágrimas como as que se vêem nas cortinas funerárias. Vêem-se, também, uma foice, um galo e uma ampulheta, todos de grande significado dentro da Ma­çonaria.

Na parede estão gravadas reflexões solenes, dentre as quais se destaca a seguinte: "Se perseveras, serás purificado pelos Elemen­tos; sairás do abismo das trevas e verás a Luz".

A pessoa que conduziu o neófito à sala de reflexão tira-lhe a venda dos olhos e diz: "Breve passareis para uma vida nova... Respondei por escrito às questões que vos são apresentadas e fazei o vosso testamento".

Este testamento não é a disposição de seus bens depois de sua morte, mas um testamento filosófico, no qual ele renuncia sua vida passada; é um ato pelo qual se dispõe a outras concepções, a uma vida que se harmoniza com os dados novos.

Prosseguindo a cerimônia de iniciação, o neófito é levado a despojar-se de uma parte de suas vestimentas. A perna de sua cal­ça é erguida alto do lado direito e a meia abaixada de maneira que o joelho direito esteja descoberto. O pé esquerdo está completa­mente descalço. O braço esquerdo e o peito desnudo. O profano tem novamente os olhos vendados e é conduzido para a porta da Loja que está fechada. Vai em busca da Luz.

Apresentam ao neófito um malhete, com o qual dá três rápi­das pancadas na porta. Com as pancadas a porta se abre, mas o profano é detido pelo Guarda do Templo, que só lhe permite a entrada quando o irmão que o conduz lhe faz a apresentação: "É um profano em estado de cegueira, que deseja ser indicado nos Augustos Mistérios da Maçonaria".

O candidato se aproxima da mesa do Venerável Mestre, que o convida a refletir novamente sobre a gravidade do passo que pre­tende dar, e insta para que se retire, se ainda não possui suficiente decisão; se o profano insiste em ser recebido, o Venerável Mestre ordena-lhe que se ajoelhe e pronuncia uma oração.

2.4. Os Juramentos
Dependendo do rito em que o neófito está sendo iniciado (seja o Escocês, Adoniramita, ou Francês), ele será levado a fazer jura­mentos.

2.4.1. Rito escocês
O neófito tem o joelho direito em terra, os olhos vendados, a mão esquerda sobre o coração, a direita sobre a Bíblia, a espada, o compasso e a esquadria. A um golpe de malhete todos os presen­tes ficam em pé e o neófito repete o seguinte juramento:

"Eu, E, juro e prometo, de minha livre e espontânea vontade, sem constrangimento ou coação, sob minha honra e segundo os preceitos de minha religião, em presença do Sup.: Arq.: do Univ.: que é Deus, e perante esta assembléia de MMaç.: solene e sinceramente jamais revelar os mistérios, símbolos ou alegorias que me forem explicados e que me forem confiados, senão a um Maç.: regular ou em Loj.: regularmente constituída, não podendo revelá-los a prof.: nem mesmo a MMaç.: irregulares, e de nunca os escre­ver, gravar, bordar ou imprimir, ou empregar outro qualquer meio idêntico, pelo qual possam ser conhecidos; de cumprir todos os deveres impostos pela Maçon.: com minha pessoa e bens: de res­peitar as mulheres, filhas, mães ou irmãs de Maçons; de reconhe­cer como de fato reconheço, por único chefe da Ordem, no Brasil, o Supr.: Cons.: do Gr.: Or.: brasileiro, ao qual guardarei inteira e fiel obediência, bem como aos Deleg.: e a todos os atos dele ema­nados direta ou indiretamente. Se eu faltar a este juramento, ainda mesmo com medo da morte, desde o momento em que cometa tal crime, seja declarado infame sacrílego para com Deus e desonra­do para com os homens. Amém. — Amém. — Amem".

2.4.2. Rito adoniramita
Neste rito, no momento em que o neófito vai prestar seu jura­mento, o Venerável brada: "Irmão sacrificador, apresente ao pro­fano a taça sagrada, tão fatal aos perjuros".

O neófito bebe um gole e o Venerável dita o seguinte jura­mento:
"Juro guardar o silêncio mais profundo sobre todas as provas a que for exposta minha coragem. Se eu for perjuro e trair meus deveres... consinto que a doçura desta bebida se converta em amargor e o seu efeito salutar em mortal veneno".

2.4.3. Rito francês
Neste rito o neófito profere o seguinte juramento, de joelhos, por duas vezes:
"Juro e prometo sobre os estatutos gerais da Ordem e sobre esta espada, símbolo de honra, etc, etc. Consinto, se eu vier a perjurar, que o pescoço me seja cortado, o coração e as entranhas arrancadas, o meu corpo queimado, reduzido a cinzas, e minhas cinzas lançadas ao vento, e que a minha memória fique em execração entre todos os MM.: O Gr.: Arq.: do Univ.: me ajude!"

DE OLIVEIRA, Raimundo. Seitas e Heresias: Um Sinal do Fim dos Tempos. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

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